Flavio Josefo - Historia de los Hebreos

CAPÍTULO 14

PETRÔNIO VAI A PTOLEMAIDA, ONDE OS JUDEUS VÊM PROCURÁ-LO PARA SUPLICAR-LHE QUE NÃO EXECUTE A ORDEM DO IMPERADOR. ELE, COMOVIDO, PROMETE-LHES ESCREVER A CAIO.

Petrônio, governador da Ásia, tendo recebido a ordem de Caio, de levantar uma estátua no Templo de Jerusalém, mandou vir escultores de Sidom e foi com seu exército a Ptolemaida, cidade da Fenícia, fronteira da Galiléia. Quando os judeus souberam disso, ficaram tão aflitos que abandonaram seus trabalhos, sem mesmo tocar nas sementes e reuniram-se em grande número, homens, mulheres, velhos, crianças, servos, para vir procurá-lo.

Eles lhe disseram: "Nós sabemos, senhor, que é preciso obedecer ao imperador. Mas também sabemos que antes de obedecer ao imperador, é preciso obedecer a Deus. Não podemos menos do que obedecer a Deus e às suas leis, que são as dos nossos antepassados, porque elas nos foram dadas por Ele mesmo e assim não podemos violá-las sem impiedade. Se vós nos ordenásseis fazer alguma outra coisa, a faríamos com alegria, porque obedecer-vos seria obedecer ao imperador. Mas, se se trata de violar as leis de Deus, nós vos suplicamos que nos mateis logo, antes de ver tão grande desgraça. Nós vos apresentamos nossas gargantas; cortai-as, derramai nosso sangue e nós nos consideraremos felizes de morrer, para não ver semelhante profanação. Se tivésseis a bondade de nos ouvir, nós vos diríamos que mesmo que tivésseis poder para nos obrigar a fazer o que o imperador deseja, nós preferiríamos morrer, a obedecer. E mesmo que não tivésseis poder para nos obrigar a isso, nós nos mataríamos com nossas próprias mãos. Assim, ainda que fôsseis obrigado a nos fazer morrer, nós nos anteciparíamos. Mas, antes de chegarmos a esse extremo, nós vos pedimos, senhor, que nos concedais um pouco de tempo para mandarmos uma embaixada ao imperador. Talvez obtenhamos dele que não nos perturbe, na honra que devemos a Deus e no exercício de nossa religião, e não nos reduza à condição pior do que a das outras nações, a que ele deixa liberdade de viver, segundo seus antigos costumes e confirme os decretos de Augusto e de Tibério, seus predecessores, que bem longe de censurar nosso proceder e de encontrar algo de prejudicial em nossos costumes, aprovaram-nos inteiramente.